Capítulo 6
Pata de Vinha abriu uma linha de seus olhos verdes, mas depois os arregalou quando percebeu que estava em um lugar desconhecido. Ele estava em algo parecido à um ninho dos duas pernas. O cheiro característico dos Duas Pernas o deixava ainda mais seguro disso. Ele começou a olhar em volta.
Haviam vários gatinhos junto dele,e em um momento ele pensou estar em um sonho que ele teve a algumas luas.
Mas algo estava errado. O sonho estava estranhamente frio, sem vida. Tudo parecia estar gelado, como as águas de uma enchente. Ele fitou os seus irmãos e irmãs, que pareciam nem mesmo respirar, pareciam de brinquedo. Ele começava a se questionar o que aquilo poderia ser, só que teve de virar bruscamente quando ouviu um barulho alto vindo de algo que parecia uma porta no ninho dos duas pernas.
A porta parecia prestes a romper, e Pata de Vinha começou a sentir uma brisa fria e gotas geladas caindo e penetrando em seu pelo, o gelando até os ossos como se fosse a mais forte das nevascas. Em alguns tique-taques de coração, o calor e a luz desapareceram, junto com a maioria das coisas. Mas a porta e as janelas abertas com água vazando continuavam lá.
Pata de Vinha estava naquela escuridão sem saber o que fazer, desesperado até o ponto em que as juntas de ferro daquele portão dos Duas Pernas não aguentaram, e a escuridão começou a ser inundada pela água gelada.
Em alguns segundos, todo aquele cômodo estava cheio de água que continuava a subir e molhava as patas de Pata de Vinha. Ele sentia mais forte ainda aquela brisa fria que parecia congelá-lo até os ossos.
Agora a água estava chegando no pescoço de Pata de Vinha, e ele lutava para permanecer com o focinho para fora quando a água o cobriu em uma correnteza gelada. Pata de Vinha começava a perder os sentidos, e seus músculos ficaram rígidos por causa do frio e também da possibilidade de se afogar enquanto Pata de Vinha continuava a afundar como uma pedra.
✩✩✩
O aprendiz abriu seus olhos confuso. Estava na toca dos aprendizes, com Pata de Gelo em cima dele, miando alto para acordar seu amigo.
- Pata de Vinha! Acorde! - miou o aprendiz branco.
- Ah? - Pata de Vinha se levantou e se sentou no ninho de musgo, de súbito os odores do sonho mais reais. Ele ainda sentia a água gelada em seus pelos arrepiados.- Você estava miando enquanto dormia! - ronronou o gato branco - Ninguém estava conseguindo dormir assim! - Pata de Vinha se sentia demasiado cansado e assustado para sair da toca e fazer algo.- Obrigado por me acordar Pata de Gelo. Vou tentar não miar, ok? Mas preciso dormir. - resmungou o aprendiz castanho, que enquanto pronunciava essas palavras, tinha uma coisa em mente. Ele iria visitar Princesa, a irmã gatinha de gente de Estrela de Fogo, para saber a verdade sobre tudo isso. "Ela deve saber a verdade." Pensou o aprendiz. Que voltou a dormir, disposto a descobrir a verdade sobre si mesmo.
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