Capítulo 5
Pata de Vinha pulou no gato do clã das sombras mais próximo dele, e mordeu seu pescoço com força, até sentir carne tenra além do gosto ruim do pelo mal-cuidado do gato malhado de preto. Ele sentiu sua espinha arrepiar quando o gato mesclado de carvão mordeu sua cauda. Ele se contorceu rapidamente, e em vez de soltar o gato, ele arranhou seu focinho até sentir o sangue do adversário escorrendo nas suas garras, e então o soltou e viu o gato sair correndo guinchando como um filhote até a proteção fora do acampamento.
Então ele sentiu uma dentada nas costas e se virou para ver quem o mordia. Era um gato marrom, preto e um pouco branco em algumas partes do corpo. Pata de Vinha sentiu as costelas esqueléticas encostando em seu pelo quando o inimigo o imobilizou no chão e começava a golpear a barriga de Pata de Vinha com garras afiadas como espinhos.
Quase sem ar, Pata de Vinha levantou a cabeça e mordeu fortemente o pescoço do guerreiro. O gato malhado devia ter subestimado sua força, porque quando recebeu a dentada soltou o aprendiz arfando.
Ao perceber que o adversário tinha baixado a guarda, Pata de Vinha pulou sobre ele e o imobilizou, ainda sentindo latejar os arranhões na barriga. Ele pegou e mordeu fundo a garganta do gato molhando seus dentes de sangue. O aprendiz continuou mordendo a garganta do inimigo até ver que ele havia parado de se debater, e então largou o corpo todo ensanguentado ali mesmo e começou a olhar a clareira.
Pelo de Amora Doce estava lutando com um gato preto e ganhando perto dali, Pata de Gelo e Tempestade de Areia lutavam com um gato o dobro do tamanho deles, mas bem mais lento. Ainda tentando observar, Pata de Vinha escutou um miado vindo do canto atrás do berçário:
- Pata de Vinha, me ajude! - Era um gemido horripilante que parecia ser do representante Garra de Espinheiro, e Pata de Vinha correu até lá para ajuda-lo esquecendo por um momento tudo que sabia sobre o gato.
- Garra de Espinheiro? - miou Pata de Vinha quando chegou atrás do berçário. De repente o aprendiz castanho sentiu garras parecidas com espinhos arranharem sua costa. Ele se virou e viu Garra de Espinheiro debruçado sobre ele, o fitando, zoando dele com seu olhar cor de âmbar.
- Olá, gatinho, esperei bastante tempo pra fazer isso. - o representante levantou a cabeça para desferir uma mordida na garganta de Pata de Vinha, mais ele foi mais rápido e se esquivou. Então o aprendiz jogou suas garras contra a garganta do representante.
Mas antes de acertar o gato, Pata de Vinha sentiu uma pata grande acertar sua nuca com uma força gigantesca. Pata de Vinha caiu no chão com esse golpe poderoso. Sentindo o sangue escorrendo do machucado, o aprendiz caiu em inconsciência, mas ainda conseguiu ver o gato que lhe acertara sentando do lado de Garra de Espinheiro e o fitando com um olhar amarelo penetrante.
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Hã?- miou despertando o aprendiz, que levantou a cabeça para observar onde estava. Não estava mais na clareira do acampamento, mas em um lugar desconhecido mas ainda sentia o cheiro do clã do Trovão. Ele via uma gata cinzenta lhe fitando com um olhar azul nas penumbras.- Manto de Cinza? Por que estou aqui? Deveria estar ajudando meu clã! - o aprendiz tentou levantar, mas uma dor imensa na nuca o fez cair de volta naquele ninho de musgo do lado da curandeira.
- Fique calmo, você está muito machucado. Vai ter de ficar na minha toca por um ou dois dias até se sentir melhor. - a calma da gata acalmou Pata de Vinha que começou a examinar o lugar. Ele via apenas alguns ninhos de musgos e algumas plantas medicinais em pilhas. Ele passou a pata na nuca, e sentiu uma dor forte. Ele se sentou com bastante esforço, e começou a se lavar.
Havia passado três luas altas, e Pata de Vinha havia sido liberado da toca de Manto de Cinza, e agora ele estava do lado de Pata de Gelo tentando dormir depois de um dia de treinamento. Ele refletiu bastante sobre Garra de Espinheiro, e decidiu que ainda não deveria contar para nenhum gato a traição do gato negro. Ele sabia não ter evidências, e que o clã acreditaria mais no representante do que em um simples aprendiz. E então adormeceu em sono profundo.
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