Capítulo 10
Pata de Vinha acordou no meio da noite. Ele via a luz suave prateada da lua por trás dos galhos da toca dos aprendizes. O aprendiz castanho levantou e se sentou para um banho, e quando terminou se espreguiçou e foi direto para a clareira. Ele olhou para a pilha de presas frescas e viu que ela estava baixa. Desanimado e com fome, ele foi para o túnel de tojos para ir caçar algo.
Ele observou a floresta. A estação das folhas caídas deixara o ambiente frio, e estava mais difícil de alimentar o clã a cada dia. Ele empinou suas orelhas tentando ouvir algum som que denunciasse o movimento de alguma presa.
Ele ouviu quase imediatamente um som de pequenas patas arranhando. Se concentrando em ouvir, ele conseguia ouvir um pequeno coração batendo.
Se guiando mais pela audição do que pela visão, ele foi até um arbusto espinhento e viu um lampejo de pelo marrom se mexendo por entre os galhos.
Um camundongo! Pata de Vinha farejou os odores tentadores que vinham da presa, e silenciosamente se esgueirou até o camundongo, e pulou sobre a presa.
O camundongo tentou se esquivar das garras de Pata de Vinha, mais o aprendiz foi mais rápido e o matou com apenas uma mordida. Ele cavucou um buraco no chão e colocou a peça de presa fresca lá dentro e cobriu com mais terra. Naquela noite, ele teve sorte na caça, voltou ao acampamento com a mandíbula doendo de tanta caça, e teve de fazer duas ou três viagens para levar todas as peças de presas frescas.
Quando terminou de levar as peças, Pata de Vinha viu o representante Garra de Espinheiro se esgueirando por um canto nas sombras do berçário. O aprendiz estreitou os olhos, e olhou em volta vendo se havia algum gato que havia prenunciado a cena, mas só havia o aprendiz na clareira.
O gato castanho esperou até os odores do gato preto começarem a se dispensarem, e começou a seguir sua trilha de cheiro. O representante parecia seguir em direção a quatro árvores, e Pata de Vinha se perguntava para onde ele estava indo.
Enquanto seguia o representante, Pata de Vinha aproveitou para caçar um camundongo que estava em uma raiz de uma árvore. Depois de um tempo, o representante parou na fronteira do clã das Sombras e se sentou. Um movimento nos arbustos denunciou a entrada de outro gato. Pata de Vinha sentiu o pelo arrepiar quando reconheceu o gato que saiu do arbusto.
- Estrela Preta. - o representante do clã do Trovão saudou o líder do clã das Sombras cordialmente.
- Garra de Espinheiro. - saudou Estrela Preta, o gato que havia deixado Pata de Vinha inconsciente durante uma batalha a algumas luas. Pata de Vinha sabia que aquele gato estava tramando algo junto com Garra de Espinheiro, mas não sabia exatamente o que estavam pensando.
- Estrela Preta, acredito que descobri a melhor hora para seu ataque.- Garra de Espinheiro miou - Daqui a dois anoiteceres de lua, todos os guerreiros e aprendizes estarão fora. Mas lembre-se, que apenas parte do território está no acordo.
- Sim eu sei. Espero que esteja fazendo a coisa certa confiando em um gato do clã do Trovão. - miou com desdém Estrela Preta, fitando o gato peto.
- Então, daqui a dois anoiteceres de luas, certo? - miou Garra de Espinheiro
- Daqui a dois anoiteceres. - confirmou Estrela Preta, que se retirou pelo mesmo arbusto por onde entrou.
Garra de Espinheiro se voltou e começou a caminhar, depois acelerando o passo voltando ao acampamento. Pata de Vinha pôde ver os olhos brilhando do representante, como se ele estivesse tramando algo. Durante sua volta apressada, o representante não notou Pata de Vinha escondido em seu esconderijo precário.
Pata de Vinha fitou o representante até ele sumir, e saiu de seu esconderijo. Confuso e enojado, Pata de Vinha tentava imaginar o que Garra de Espinheiro estava tramando. Mas ele sabia de algo. O clã estaria em perigo enquanto Garra de Espinheiro estivesse no cargo de representante.
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